O mediterrâneo torna-se grego e as Conseqüências da colonização

Cidades e colônias gregas por volta de 550 a.C.. Socialmente, a colonização do mar Mediterrâneo pelos gregos resultou no desenvolvimento de uma classe rica formada por mercadores (o comércio internacional desenvolvera-se a partir de então) e de uma grande classe média de trabalhadores assalariados, artesãos e armadores. Culturalmente, os gregos realizaram intercâmbios com outros povos.
Na economia, a indústria naval se desenvolveu, obviamente, passando a consumir crescente quantidade de madeira das florestas gregas. O padrão de vida na Grécia melhorou acentuadamente (o tamanho médio das residências encontradas por arqueólogos aumentou 5 vezes). A expectativa de vida aumentou em vários anos (assim como a altura média, o que indica um melhor padrão de vida).

A população aumentou de 600.000 no século VIII a.C. para em torno de 9 milhões, no século IV a.C.. E tudo isso fez com que no século IV, a Grécia já possuísse a economia mais avançada do mundo e com um nível de desenvolvimento extremamente raro para uma economia pré-industrial. Apesar disso, houve concentração fundiária, em algumas cidades essa concentração levou a revoltas e tiranias, em outras a aristocracia manteve o controle graças a legisladores inclementes

Laconismo

Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande, queria unir todos os povos gregos sobre seu domínio. A Grécia era composta por inúmeras cidades-estado. Esparta era uma delas.

Durante um cerco à cidade de Esparta, Filipe II da Macedônia envia a seguinte mensagem aos espartanos:

“Se não se renderem imediatamente, invadirei as vossas terras. Se os meus exércitos as invadirem, irão pilhar e queimar tudo o que vocês mais prezam. Se eu marchar sobre a Lacônia*, arrasarei as vossas cidades.”

Alguns dias depois o Rei recebeu a resposta dos espartanos, abriu a carta e lê somente uma palavra: “Se”.

Quando fala sobre o surgimento das cidades-Estado gregas o professor utiliza as cidades de Esparta e Atenas para exemplificar a diversidade cultural da Grécia Antiga. Em algumas situações, utiliza-se um quadro comparativo que tenta vislumbrar as diferentes práticas culturais, instituições e hábitos desses dois povos tão usualmente citados nas aulas de Antigüidade Ocidental. Nessa hora é importante que o professor se preocupe com as passíveis hierarquizações construídas por seus alunos.
Geralmente, os alunos tendem a dizer que os atenienses eram “mais evoluídos, sábios e civilizados” – enquanto os espartanos seriam um exemplo de “selvageria, ignorância e brutalidade”. Para constatar tais opiniões, o professor pode expor o quadro esquemático aos alunos e, logo em seguida, pedir para que os mesmos façam uma comparação crítica entre os dois contextos. Depois disso, podemos empreender uma interessante aula onde essas definições possam ser questionadas.
Primeiramente, peça para que os alunos defendam o ponto de vista exposto por eles mesmos. Depois disso, o professor pode lançar a questão se realmente podemos diferenciar uma cultura simplesmente dizendo qual seria melhor e pior. Caso a classe (ou parte dela) insista em reafirmar essa noção hierarquizada das culturas, o professor pode guinar o tema da aula buscando levantar um problema e uma vantagem entre a nossa cultura e outra cultura qualquer.
Em uma outra aula, o professor pode revisitar as características da cultura espartana dando destaque para duas características: o laconismo e o papel exercido pelas mulheres. A primeira seria colocada como uma forma de reafirmar a primeira perspectiva negativa constituída pelos alunos. Utilizando algum texto adaptado da época ou utilizando trechos do filme ”300” o professor pode mostrar aos alunos sobre como os espartanos exprimiam as suas idéias, assinalando a questão do laconismo.
Para enfim relativizar a idéia de que os espartanos eram “atrasados” em relação aos atenienses, o professor pode destacar como as mulheres eram tratadas. Para isso, pode citar que o filósofo ateniense Platão como questionava o papel das mulheres em sua obra “A República”. Em uma citação dessa obra o filósofo diz:
“se se evidenciar que, ou o sexo masculino, ou o feminino, é superior um ao outro no exercício de uma arte ou de qualquer outra ocupação, diremos que se deverá confiar tal função a um deles. Se, porém, se vir que a diferença consiste no fato de a mulher dar a luz e o homem fecundar, nem por isso diremos que está mais bem demonstrado que a mulher difere do homem em relação ao que dissemos, mas continuaremos a pensar que os nossos guardiões e as suas mulheres devem desempenhar as mesmas funções” (454 d-e).

Ao mostrar esse trecho aos alunos, o professor pode advertir que Platão levantava este tema porque, em Atenas, as mulheres eram vistas como seres inferiores ou menos importantes. Para colocar essa visão em contraponto, o professor pode utilizar outros trechos do filme “300” que destacam o papel central exercido pela rainha Gorgo, mulher do rei Leônidas. Dessa maneira, pode-se mostrar como o filme demonstra essa diferença “positiva” dos espartanos em relação às atenienses.
Dessa maneira, o aluno poder ver com tom crítico ambas as culturas sem buscar necessariamente privilegiar uma relação à outra. Além de demonstrar a diversidade cultural presente no interior da Grécia Antiga, o aluno ainda pode relativizar as culturas sem impor um juízo de valor inapropriado. Por fim, encerra-se um assunto interligando cultura, História Antiga e diferentes análises documentais.

Juvenelton Alisso

1º A Hilda Bergo Duarte


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